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Freira que batizava bebês escondida dos comunistas morre aos 92 anos

Irmã Marije Kaleta, a freira que batizava bebês escondida dos comunistas

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Irmã Marije Kaleta na Catedral de São Paulo, em Tirana, em 21 de setembro de 2014

Francisco Vêneto - publicado em 13/01/22

O regime comunista matou católicos e destruiu igrejas sistematicamente para impor um estado ateu

A irmã Marije Kaleta, freira que batizava bebês escondida dos comunistas durante a ditadura de Enver Hoxha em seu país natal, a Albânia, faleceu aos 92 anos de idade, no último dia 2 de janeiro, segundo informações da agência ACI Prensa.

O regime comunista de Enver Hoxha perseguiu e matou católicos e destruiu igrejas sistematicamente com o objetivo de impor um estado ateu, assim como ocorreu em outros países que foram submetidos à ideologia comunista, tais como a União Soviética, a China, a Coreia do Norte, Cuba, Camboja e o Vietnã, entre vários outros. Na Albânia, o regime vigorou de 1940 a 1992.

Mesmo com a intensa e brutal perseguição, a irmã Marije levava a sagrada Comunhão clandestinamente a doentes e moribundos, arriscando a vida em nome da fé. Ela própria relatou, durante um encontro com o Papa Francisco na Albânia em 2014, que batizava bebês às escondidas dos comunistas. Francisco nunca se esqueceu do testemunho da religiosa e, passados quatro anos desde aquela viagem apostólica, mencionou-a como “um belo exemplo da Igreja como mãe”.

Certa vez, a religiosa foi abordada numa estrada por uma mulher que correu até ela com uma bebê no colo. “Ela me pediu para batizar sua filhinha”. Acontece que se tratava da mulher de um dirigente comunista, o que deixou a freira assustada. Ela mesma contou:

“Respondi que não tinha com que batizar, porque estávamos numa estrada, mas ela demonstrou tanta vontade que me disse que havia um canal ali perto. Eu falei que não tinha nada para pegar a água, mas ela insistiu tanto para batizar aquela menina que, vendo a fé dela, eu tirei meus sapatos de plástico, peguei um pouco d’água no canal e batizei a menina”.

50 anos de espera para emitir os votos religiosos

A irmã Marije Kaleta conseguiu entrar muito jovem no convento das Irmãs Estigmatinas graças ao auxílio de um tio sacerdote. Eram os anos 1940, e, sob o ateísmo compulsório do regime comunista, precisou esperar quase 50 anos para emitir os seus votos religiosos perpétuos, em 1991.

O governo fechou os conventos e obrigou as freiras a voltarem para casa. Após a morte dos pais, a irmã Marije continuou morando sozinha na casa da família, “mantendo a fé viva no coração dos fiéis, mesmo clandestinamente”. De fato, com a “cumplicidade” de alguns padres, ela conseguiu manter em casa o Santíssimo Sacramento e o levava aos doentes e moribundos.

“Quando olho para trás, parece inacreditável que conseguimos suportar tantos sofrimentos terríveis. Eu sei que Deus nos deu forças, paciência e esperança. Deus deu forças a quem Ele tinha chamado. E Ele já me recompensou, ainda aqui na terra, por todo o sofrimento vivido”.

No segundo dia de 2022, no convento de Shkodër, situado na região norte da Albânia hoje livre, a irmã Marije Kaleta, a freira que batizava bebês escondida dos comunistas, partiu deste mundo rumo à plenitude da recompensa eterna.

Tags:
BatismocomunismofreirasIdeologiaPerseguição
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