Aleteia logoAleteia logoAleteia
Sábado 25 Junho |
Aleteia logo
Em foco
separateurCreated with Sketch.

O emoji do homem grávido: uma violência contra a humanidade

emoji pregnant man

© emojipedia

Derville Tugdual - publicado em 11/02/22

Acreditar em um homem grávido é tão absurdo quanto afirmar que a terra é plana

É surpreendente que uma multinacional global quase monopolista (Apple) atreva-se a nos impor, como contrapartida ao emoji de uma mulher grávida, o de um homem gestando um bebê na barriga. Acreditar em um homem grávido é tão absurdo quanto afirmar que a terra é plana. O reino da maternidade é o espaço feminino por excelência.

A gravidez, que é uma experiência íntima – alguns diriam sagrada, porque toca a própria vida – pertence apenas às mulheres. Nenhum homem jamais soube por experiência o que é carregar outro ser humano no ventre.

Insistamos: seja ou não um “privilégio exorbitante” (Françoise Héritier), o fato de dar à luz pertence apenas a elas. O que todos nós sabemos — homens e mulheres — é que estivemos no ventre de nossa mãe por um longo tempo. Este fato vital — uma fonte de admiração — deve nos alertar contra qualquer manipulação dessa realidade.

Tendo acompanhado muitas mulheres grávidas em dificuldade, pude perceber até que ponto a experiência da gravidez é intensa, quase indescritível, às vezes alegre, às vezes dolorosa e muitas vezes ambas, simultânea ou alternadamente. É uma realidade feminina em essência. Ficamos escandalizados com o “racismo” das pessoas que usam maquiagem para dar outra cor à sua pele como parte de uma fantasia. Não deveríamos questionar, com muito mais razão, a propagação da imagem de mulheres que afirmam experimentar a gravidez “como homens”?

Algumas mulheres, por causa de alguma tendência que permanece misteriosa, tentam adotar uma aparência masculina tomando hormônios e até fazendo cirurgia, mantendo seu útero funcional. Quando elas se encontram na situação de afirmar “dar à luz como pai”, o engano se revela. Porque só as mães dão à luz. Sua aparência masculina não mudará a realidade de sua feminilidade, a qual, precisamente, o parto atesta.

Mostrar uma “maternidade paterna” significa dar crédito a um subterfúgio sem sentido. Quando a barriga de um homem começa a se assemelhar à de uma mulher grávida, geralmente é porque ele tem bebido um pouco de cerveja demais.

O feminismo benéfico não se trata de obscurecer os marcadores corporais que distinguem homens de mulheres, mas de garantir que essas diferenças não sejam uma fonte de discriminação injusta.

Por outro lado, “não é salutar um comportamento que pretenda «cancelar a diferença sexual, porque já não sabe confrontar-se com ela»” (Laudato si’, 155). O fato de precisarmos de tecnologia para dar credibilidade a isso só confirma que é um artifício, uma negação da ecologia humana. As mulheres são as perdedoras, porque sua especificidade — sua natureza — é negada, até mesmo desprezada.

Cuidado, no entanto! Embora os homens sejam instados a se calar pela cultura do cancelamento, eles são igualmente vítimas de engano: o emoji “homem grávido” não nos mostra um homem que está imitando uma mulher (grávida), mas uma mulher (grávida) que está imitando um homem, fingindo dar à luz sob uma aparência masculina enganosa. Sua realidade biológica é, no entanto, cuidadosamente escondida, com modéstia forçada.

Na humanidade, “masculino” descreve um corpo que não é feito para dar à luz. O emoji “homem grávido”, um falso anúncio imposto pela desconstrução antropológica, é – como todas as mentiras – em última análise, uma injustiça e uma violência contra a humanidade como um todo, porque mina uma de suas vigas de sustentação mais intangíveis: a alteridade sexual, na origem de toda geração.

Tal imagem nasce de um plano consciente: neutralizar a humanidade. Neutralizá-la no sentido de torná-la impotente e inoperante, desfazê-la. Não ignoremos as origens ideológicas da irrupção em nossas telas dessa imagem transumanista. Para seus promotores, nada tem significado, nada é dado, tudo é construído e, portanto, tudo deve ser desconstruído.

Os seguidores desse artifício provocativo têm uma intenção: “Vamos chocar, vamos sacudir as pessoas! Não importa, as coisas sempre vão se acalmar…” Cuidado! Eles confiam nos debates em torno de sua imagem viral – e, portanto, em seus oponentes também – para espalhá-la melhor, fazê-la entrar na cabeça das pessoas, torná-la concebível, possível e, em seguida, aceitável e, finalmente, inquestionável.

O presente artigo corre o risco, portanto – a menos que gere em seus leitores uma resolução de resistência lúcida – contribuir para o seu objetivo: nos acostumar a ocultar o sentido do corpo, banalizando em um “gênero” o que é próprio e específico do outro.

A humilde e recíproca incompletude dos homens em comparação com as mulheres é um tesouro precioso sobre o qual devemos meditar mais — e, a partir de agora, defender!

Tags:
IdeologiaIdeologia de GêneroSociedade
Apoiar a Aleteia

Se você está lendo este artigo, é exatamente graças a sua generosidade e a de muitas outras pessoas como você, que tornam possível o projeto de evangelização da Aleteia. Aqui estão alguns números:

  • 20 milhões de usuários no mundo leem a Aleteia.org todos os meses.
  • Aleteia é publicada diariamente em sete idiomas: inglês, francês,  italiano, espanhol, português, polonês e esloveno
  • Todo mês, nossos leitores acessam mais de 50 milhões de páginas na Aleteia.
  • 4 milhões de pessoas seguem a Aleteia nas redes sociais.
  • A cada mês, nós publicamos 2.450 artigos e cerca de 40 vídeos.
  • Todo esse trabalho é realizado por 60 pessoas que trabalham em tempo integral, além de aproximadamente 400 outros colaboradores (articulistas, jornalistas, tradutores, fotógrafos…).

Como você pode imaginar, por trás desses números há um grande esforço. Precisamos do seu apoio para que possamos continuar oferecendo este serviço de evangelização a todos, independentemente de onde eles moram ou do quanto possam pagar.

Apoie Aleteia a partir de apenas $ 1 - leva apenas um minuto. Obrigado!

Top 10
Ver mais
Boletim
Receba Aleteia todo dia