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A Igreja Católica age para ajudar as vítimas da tragédia de Petrópolis

PETROPOLIS BRAZIL

CARL DE SOUZA / AFP

Uma boneca nos escombros enquanto membros da equipe de resgate dos bombeiros procuram sobreviventes após um deslizamento de terra em Petrópolis, Brasil, em 16 de fevereiro de 2022.

Francisco Vêneto - publicado em 17/02/22 - atualizado em 17/02/22

O próprio bispo dom Gregório Paixão passou o dia na paróquia Santo Antônio, de uma das áreas mais atingidas, ajudando no atendimento às vítimas

A Igreja Católica está agindo com intensidade para ajudar as vítimas da tragédia de Petrópolis, onde os mortos já passam de 100, na contagem divulgada até a manhã desta quinta, 17 de fevereiro.

Um violento temporal atingiu a cidade serrana nesta última terça-feira, 15. Também passam de 130 os desaparecidos, o que pode elevar, dramaticamente, o número de vítimas fatais.

Em paralelo, a cidade também tem presenciado uma ampla gama de iniciativas solidárias, entre as quais as da Igreja.

PETROPOLIS, BRAZIL
Vista aérea após deslizamento de terra em Petrópolis, Brasil, em 17 de fevereiro de 2022.

De fato, a paróquia Santo Antônio, no bairro Alto da Serra, se tornou quase imediatamente um dos pontos de referência para as ajudas e para o voluntariado. Trata-se de uma das regiões mais atingidas pelo desastre. Só nesta quarta-feira, 16, a paróquia já acolheu mais de 200 pessoas.

O próprio bispo dom Gregório Paixão passou o dia na paróquia Santo Antônio ajudando no atendimento às vítimas e mantendo contato com os padres de outras paróquias.

Independentemente das áreas do município, aliás, a diocese de Petrópolis como um todo agiu rapidamente e transformou praticamente todas as suas paróquias em pontos de arrecadação de doações.

Os voluntários estão prestando auxílio em ações que vão desde trabalhos braçais até o acolhimento de desabrigados, passando pela coleta e distribuição de bens de primeira necessidade.

O pe. José Celestino, pároco da Santo Antônio, agradeceu às pessoas pela solidariedade e as motivou a fazer não apenas doações materiais, mas também muita oração, “pedindo a Deus por nós”.

Desastre em Petrópolis em fevereiro de 2022
Imagem da tragédia em Petrópolis (Brasil), após chuvas intensas e deslizamentos de terra

No tocante aos donativos em dinheiro, o padre explicou que a diocese irá ajudar na aquisição de móveis e até mesmo na reconstrução de casas para as pessoas que perderam tudo. A diocese de Petrópolis centralizou o recebimento de donativos em uma conta (Banco Bradesco, agência 0401, conta corrente 114.134-1, Pix (CNPJ) 28.805.190/0001-33).

Outras dioceses estão prestando forte apoio à de Petrópolis. A de Nova Friburgo, por exemplo, acionou a Cáritas diocesana para angariar doações de água potável, alimentos não perecíveis, colchões e artigos de higiene e limpeza.

O Regional Leste 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que abrange o Estado do Rio de Janeiro, também exortou os católicos da região a rezarem pelas vítimas e a enviarem doações para a população de Petrópolis atingida pela tragédia.

Durante a permanência na Igreja Santo Antônio, no Alto da Serra, onde estão abrigadas mais de 250 pessoas, o bispo diocesano, Dom Gregório Paixão, OSB, esteve com o governador do Estado do Rio de Janeiro, Claudio Castro.

O bispo apresentou as demandas da cidade e falou sobre como a Diocese de Petrópolis está mobilizada com todas as igrejas para atender as vítimas e acolher as pessoas que perderam ou tiveram que deixar suas casas.

O governador teve a oportunidade conversar com os acolhidos pela Paróquia Santo Antônio e conhecer toda a estrutura montada pela paróquia para atender as pessoas.

Sobre a presença dos voluntários, o governador – que é católico – disse: “eu sei que Deus conforta, capacita, auxilia e renova a nossa fé. Posso ver isso no rosto de cada voluntário que abraçou a missão de levar o amor de Cristo para os necessitados”.

Um policial militar cuida de um cachorro resgatado durante o segundo dia de operações no local de um deslizamento de terra em Petrópolis em 17 de fevereiro de 2022, onde enchentes em grande escala destruíram centenas de propriedades e ceifaram pelo menos 104 vidas.

Por outro lado, a presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou ontem uma mensagem expressando sua tristeza pelo ocorrido e apoio às vítimas da tragédia.

A presidência afirmou que a tragédia envolve-nos em profunda tristeza. “Essa consternação toca a nossa fé cristã, impelindo-nos a agir solidariamente. Unamo-nos, em comunhão, a dom Gregório Paixão e ao amado povo de Deus na diocese de Petrópolis. As nossas preces levam o nome de cada irmão e irmã, vítimas dessa tragédia, ao coração de Jesus”, diz.

Na sequência, a presidência convoca todos a testemunhar a fé, exercendo a solidariedade:

“Pedimos a cada cristão católico, aos homens e mulheres de boa vontade, que se compadeçam daqueles que perderam o pouco que possuíam, vítimas da tragédia climática. Especialmente, levemos amparo às famílias enlutadas e desabrigadas. A nossa Igreja já se mobiliza para ajudar. Sigamos todos juntos”.

O texto diz, ainda, que este clamor por iniciativas de amparo às vítimas precisa ser acolhido especialmente por governantes. “Trata-se de compromisso cristão e irrenunciável tarefa daqueles que ocupam cargos nas instâncias do poder. Petrópolis pede ajuda urgentemente!”, exorta.

“Convictos de que somos corresponsáveis uns pelos outros, possamos exercer a amizade social, conforme sempre nos orienta o amado Papa Francisco. Assim, ainda mais firmemente, seguiremos os passos de nosso Mestre Jesus”.

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CaridadeIgreja CatólicaTragédia
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