Aleteia logoAleteia logoAleteia
Segunda-feira 26 Setembro |
Aleteia logo
Religião
separateurCreated with Sketch.

“Conversando sobre a Bíblia”

kobieta modli się z Pismem Świętym przy stole

New Africa | Shutterstock

Vanderlei de Lima - publicado em 03/07/22

Sem a fé não se consegue extrair da Bíblia o seu imenso tesouro espiritual para nós, de modo individual e comunitário

“Conversando sobre a Bíblia: perguntas e respostas” é o título da obra escrita por Margarida Hulshof, esposa, mãe e avó, que, por longos anos, escreveu sobre temas da fé católica e, depois, reuniu suas reflexões em vários livros. Este sobre a Bíblia (Cultor de Livros), lançado em 2017, alcançou, já no ano seguinte, a segunda edição.

Logo nas páginas 15-16, a autora apresenta a razão de ser de sua obra. Diz ela: “Tendo atuado por vários anos na área da catequese, pude perceber a grande importância de uma adequada formação bíblica. A leitura individual e comunitária da Bíblia foi sendo cada vez mais valorizada em todos os ambientes eclesiais a partir do Concílio Vaticano II, e de forma especial na catequese, cuja metodologia tornou-se essencialmente bíblica, e depois também celebrativa e querigmática”. E continua: “Dessa popularização da Bíblia surge, como consequência natural, a necessidade do estudo, do conhecimento, de uma adequada capacitação para interpretar e compreender corretamente a Palavra de Deus, especialmente o Antigo Testamento”.

Um pouco adiante, Margarida constata a oposição entre a interpretação terrena ou horizontalista da Palavra de Deus escrita e a sobrenatural ou verticalista, que é a correta. Afinal, sem a fé não se consegue extrair da Bíblia o seu imenso tesouro espiritual para nós, de modo individual e comunitário: “Não é tão difícil encontrar subsídios de qualidade para o estudo bíblico, pois há muito material disponível. E também não é tão complicado, nem tão demorado assim, adquirir a formação básica indispensável. A maior dificuldade, a meu ver, é de outro tipo… e não atinge apenas o estudo bíblico, mas todo o processo catequético, a liturgia e até a própria teologia. Essa dificuldade reside principalmente na tendência que se manifestou nas últimas décadas entre os teólogos e biblistas, a uma interpretação demasiadamente racional ‘terrena’ da Bíblia” (p. 16).

Por fim, a autora louva as novas pesquisas, mas diz que elas só trazem benefícios ao se manterem fiéis ao Magistério da Igreja, única instância apta a interpretar corretamente a Palavra de Deus (cf. Catecismo da Igreja Católica n. 84-95). Com efeito, “os novos estudos, ideias e teorias são bem-vindos e podem ser benéficos à Igreja, mas a exegese bíblica, assim como a teologia, só será autêntica e confiável se se mantiver fiel ao Magistério da Igreja em comunhão com o Papa, pois essa é a única instância garantida pelo Espírito Santo. Temos visto ultimamente uma avalanche de interpretações bíblicas não autorizadas sendo difundidas e ensinadas como verdade inquestionável, sem levar em conta a limitada capacidade de assimilação e de crítica das pessoas comuns… Esse descuido e falta de prudência tem sido causa de escândalo e de confusão para muitos fiéis, além de contaminar lamentavelmente a formação dos seminaristas. A maioria dos textos incluídos neste livro é uma tentativa de esclarecer essas dúvidas e confusões, em resposta a perguntas que me foram dirigidas pelos leitores da minha coluna no jornal católico ‘O Lutador’” (p. 17).

Nas páginas 45 a 64, a autora trata da longa e, portanto, lenta formação da Bíblia e das suas línguas originais, ou seja, o hebraico, o aramaico e o grego. A título de demonstração da união entre a exegese (= interpretação) científica e a espiritualidade teológica, citemos as palavras de Margarida sobre o triste episódio de Caim e Abel (Gn 3,4-5): “A grande lição que o texto nos ensina é: o pecado rompe a fraternidade. Longe do amor de Deus (paraíso), os homens tornam-se incapazes de amar, e deixam-se dominar pela inveja, pelo ódio, pelo desejo de vingança. Quem não é pecador, torna-se vítima, como aconteceu com Jesus, de quem Abel é figura. Quem tem o coração mau, não suporta os bons, porque estes, com a sua vida, denunciam seu pecado” (p. 91).

Três destaques finais: a linha do tempo, p. 395-399, ficou excelente. Também é esclarecedora a nota 19 da página 140. Apenas sugerimos a troca da expressão “dia-a-dia”, na p. 16, por dia a dia (sem hífen). 

Parabéns à Margarida Hulshof, destemida missionária, por mais esta obra!

Mais informações em: https://www.cultordelivros.com.br/produto/conversando-sobre-a-biblia-78447

Tags:
BíbliaLivros
Apoiar a Aleteia

Se você está lendo este artigo, é exatamente graças a sua generosidade e a de muitas outras pessoas como você, que tornam possível o projeto de evangelização da Aleteia. Aqui estão alguns números:

  • 20 milhões de usuários no mundo leem a Aleteia.org todos os meses.
  • Aleteia é publicada diariamente em sete idiomas: inglês, francês,  italiano, espanhol, português, polonês e esloveno
  • Todo mês, nossos leitores acessam mais de 50 milhões de páginas na Aleteia.
  • 4 milhões de pessoas seguem a Aleteia nas redes sociais.
  • A cada mês, nós publicamos 2.450 artigos e cerca de 40 vídeos.
  • Todo esse trabalho é realizado por 60 pessoas que trabalham em tempo integral, além de aproximadamente 400 outros colaboradores (articulistas, jornalistas, tradutores, fotógrafos…).

Como você pode imaginar, por trás desses números há um grande esforço. Precisamos do seu apoio para que possamos continuar oferecendo este serviço de evangelização a todos, independentemente de onde eles moram ou do quanto possam pagar.

Apoie Aleteia a partir de apenas $ 1 - leva apenas um minuto. Obrigado!

PT300x250.gif
Top 10
Ver mais
Boletim
Receba Aleteia todo dia