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Maria Santíssima, a mãe e medianeira no Evangelho de João

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Bill Perry | Shutterstock

Vanderlei de Lima - publicado em 31/07/22 - atualizado em 08/07/22

Maria está presente como medianeira no início da vida pública de Jesus. Entenda

Nossa Senhora, Maria Santíssima, aparece em duas importantes passagens do Evangelho de São João. Primeiro, como diligente medianeira (2,1-11), depois, como mãe de todos nós, conforme a vontade de Cristo, Nosso Senhor (19,25-27).

No episódio de Jo 2,1-11, conhecido como Bodas de Caná, Nosso Senhor, sua mãe e seus discípulos estão, numa festa de casamento, em Caná da Galileia, e, de repente, falta vinho. Nossa Senhora se dirige ao seu divino Filho e lhe relata a situação vexatória dos noivos: “Eles não têm mais vinho” (v. 3). Cristo lhe responde de um modo que parece mal educado: “Que queres de mim, mulher? Minha hora ainda não chegou” (v. 4).

Como interpretar esta resposta? – Dom Estêvão Bettencourt, OSB, (Curso de Mariologia. Rio de Janeiro: Mater Ecclesiae, 1997, p. 17) interpreta que a resposta do Senhor, em grego, “Ti emoi kai soi” (Que há para mim e para ti?) é uma forte expressão semita, muito frequente no Antigo Testamento (cf. Jz 11,12; 2Sm 16,10; 19,23; 1Rs 17,18 etc.) e também no Novo (cf. Mt 8,29; Mc 1,24; 5,7; Lc 4,34; 8,28 etc.), para: 1) rejeitar uma intervenção julgada inoportuna ou 2) demonstrar o desejo de não querer se relacionar com a outra parte (Maria, no caso). Qual das alternativas explica a fala de Cristo?

A resposta é clara: a primeira opção. Cristo, a princípio, rejeita intervir e explica o porquê: “Minha hora ainda não chegou”. Com efeito, a hora de Nosso Senhor, segundo João, só chega na sua glorificação ocorrida por meio de sua morte e ressurreição (cf. Jo 7,30; 8,20; 12,23.27,13,1; 17,1). Também o termo “mulher” não constitui menosprezo do Senhor para com sua Mãe Santíssima. Ao contrário, tem alto significado teológico à luz de Gn 3,15: Eva, a mãe dos viventes, no Antigo Testamento, é substituída por Maria – a nova Eva – mãe dos vivos por excelência, pois deu à luz a Cristo, o vencedor da morte.

O Evangelho continua demonstrado a íntima ligação entre o querer de Deus e o de Nossa Senhora, a mulher totalmente entregue à divina vontade (cf. Lc 1,38), uma vez que, mesmo sem saber como Nosso Senhor procederia, ordena aos serventes: “Fazei tudo o que ele vos disser” (v. 5). Ela tem plena certeza de que Cristo a atenderá. E Ele, de fato, a atende: doa aos noivos e convidados seis talhas de vinho, ou seja, 480 litros. Muitíssimo mais do que necessitavam. O mesmo se dá na multiplicação dos pães (cf. Jo 6,11-13). São as farturas profetizadas para os tempos messiânicos se realizando em Cristo, o verdadeiro Messias (cf. Jl 2,23-24; 4,18; Am 9,13-14).

Em suma, essa manifestação antecipada da glória de Cristo, por meio de um grande milagre, leva os discípulos a crerem n’Ele (v. 11). Ora, disso decorre ser Nossa Senhora a mulher que prevê e provê, isto é, intercede junto ao seu divino Filho para que Ele aja, de modo eficaz, em favor dos necessitados. Por sua poderosa intercessão cheia de fé, Cristo faz um milagre apto a provocar a fé dos discípulos. Maria está, pois, presente como medianeira, no início da vida pública de Jesus (cf. Curso de Mariologia, p. 18).

Em Jo 19,25-27, Nossa Senhora, na dolorosa Paixão de seu divino Filho, está, com outras mulheres e João, o discípulo amado, aos pés da cruz. Aí, Nosso Senhor, moribundo pendente da cruz, diz a Maria: “Eis aí teu filho” (v. 26) e, depois, a João: “Eis aí tua mãe” (v. 27). Tal ocorrência é muito significativa e demonstra a preocupação de Cristo em deixar João (a representar a todos nós) amparado por uma mãe tão especial e diligente e não em simplesmente encontrar um lar e um cuidador para Nossa Senhora.

É Candido Pozo, SJ, quem argumenta que Nossa Senhora não precisava de João, pois, humanamente falando, tinha, aos pés da cruz, a outra Maria, sua parenta. E, se estivesse mais preocupado com a solidão de sua mãe, Cristo teria dado um grito aflito: “João, não abandones minha mãe” (María en la obra de la salvación. Madri: BAC, 1974, p. 237), quando, na realidade, o que ocorreu foi o contrário. 

Notemos, por fim, que essa maternidade de Nossa Senhora é dolorosa. A ela se aplica, pois, a passagem de Jo 16,21-22, assim como a do Sl 87,2-3.5. Sim, enquanto Mãe da humanidade, é ela a nova Sião, cidade que a prefigura como mãe de Deus e nossa.

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