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Opus Dei responde a reportagem sobre acusação de explorar domésticas

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Francisco Vêneto - publicado em 04/08/22 - atualizado em 04/08/22

Matéria apresentou denúncia de 43 mulheres que alegam ter sido exploradas pela prelazia na Argentina durante anos

O Opus Dei respondeu a uma reportagem veiculada nesta semana pela BBC sobre a acusação de explorar mulheres como empregadas domésticas na Argentina.

Segundo a matéria da rede britânica, um grupo de 43 mulheres argentinas, paraguaias e bolivianas denunciou a organização católica ao Vaticano, em setembro de 2021, e está pedindo “compensação financeira e reconhecimento público da Igreja” a respeito da exploração que relatam ter sofrido.

A denúncia

De acordo com a reportagem, as mulheres denunciantes procedem de “famílias de baixa renda” e, quando tinham entre 12 e 16 anos, “foram levadas para Buenos Aires nos anos 70, 80 e 90” com a promessa de receber educação. Nas instalações do Opus Dei, prossegue a matéria, “receberam capacitação em tarefas domésticas” e teriam sido induzidas a “trabalhar de graça para membros de alto escalão e sacerdotes” da prelazia.

Alicia Torancio, uma das denunciantes, acusa a prelazia de “lavagem cerebral”:

“Dizem que você tem vocação para ser santa, que pode contribuir com o mundo através do seu trabalho e que vai ajudar a mudar o mundo”.

Ela acrescenta que não foi paga pelo seu trabalho, sofreu de depressão e não confia na comissão criada pelo Opus Dei para investigar as denúncias:

“Como esperam que alguém vá denunciar o abuso e a exploração a quem abusou e explorou você?”

Ela espera que o Opus Dei “reconheça publicamente o que nos fez” e reforça que, a serviço da prelazia, ainda “há mulheres mais velhas com muitos problemas de saúde por causa de tanto trabalho e que nem podem se aposentar”.

A resposta do Opus Dei

Josefina Maradiaga, porta-voz da prelazia na Argentina, informou mediante nota à agência de notícias ACI Prensa que a reportagem da BBC “compila denúncias feitas há mais de um ano através de diferentes meios de comunicação”, como a agência Associated Press e o jornal argentino La Nación. Em ambos os casos, prossegue ela, a prelazia havia respondido dizendo-se aberta a ouvir as denúncias, investigar os fatos e “receber, acompanhar e pedir perdão àqueles que estiveram em contato ou fizeram parte do Opus Dei e não soubemos atender com a generosidade e com o afeto de que precisavam”.

Em comunicado de 23 de junho, o Opus Dei afirmou que o pe. Juan Llavallol, seu vigário para a Região do Rio da Prata, já “se reuniu com a pessoa que se apresenta como porta-voz das mulheres, o advogado Sebastián Sal, no dia 5 de novembro de 2021, com uma atitude aberta e de escuta para abrir caminhos de diálogo”.

Segundo a mesma nota, “apesar da vontade da prelazia em abrir canais que permitissem compreender os argumentos e detalhes da situação de cada uma dessas pessoas, não foi possível conhecer e tratar cada caso pessoal e individualmente, gerando um impedimento para dar uma resposta adequada a cada pessoa”.

As declarações de Josefina Maradiaga feitas à agência ACI Prensa complementam:

“Na ausência de ações judiciais contra a prelazia do Opus Dei, de notificação de denúncia por parte das autoridades eclesiásticas ou de canais de diálogo frutíferos através do porta-voz das mulheres, a prelazia, de forma autônoma, considerou necessário constituir uma comissão de escuta e estudo que permita conhecer com mais detalhe essas experiências e o contexto em que aconteceram. O objetivo é reunir todos os elementos possíveis sobre os fatos e condutas que são apontados nestas acusações públicas, para que não se esgotem somente nelas, mas sejam avaliadas em seu contexto, e para que sejam tomadas medidas apropriadas em cada caso, se necessário”.

A responsável pela comissão de escuta do Opus Dei no tocante a esta denúncia de exploração de atividades domésticas é a canadense Monique David.

Tags:
Igreja CatólicaJustiçaTrabalhoVaticano
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