Aleteia logoAleteia logoAleteia
Segunda-feira 26 Setembro |
Aleteia logo
Atualidade
separateurCreated with Sketch.

Nigéria: “Nunca vivemos o que estamos a viver agora”, diz bispo

Inferno na Nigéria: violência contra cristãos só cresce

East News

Reportagem local - publicado em 07/08/22 - atualizado em 04/08/22

"As pessoas estão a sofrer, têm fome. O Governo perdeu o controle da situação, é um caos"

A Diocese do Bispo Oliver Doeme sofreu a pior experiência do terrorismo infligido pelo Boko Haram, mas diz que agora esta região do país pode ser considerada pacífica em comparação com o resto e atribui a culpa da situação ao presidente Buhari e ao seu Governo. 

No mesmo ano em que o Bispo Oliver Doeme tomou a seu cargo a Diocese de Maiduguri, no nordeste da Nigéria, uma pequena seita muçulmana transformou-se no que viria a ser um grupo terrorista selvagem, devastando comunidades pacíficas e raptando centenas de raparigas adolescentes. Durante anos ele observou como o Boko Haram sobrecarregou o pessoal de segurança e forçou a diocese a encerrar 25 paróquias.

Terroristas

A situação está muito melhor em Maiduguri neste momento, uma mudança que o bispo atribui em grande parte à intervenção divina, incluindo uma visão que teve em 2014, em que Jesus lhe entregou uma espada que se transformou num terço, encorajando a já profunda devoção mariana do bispo. “A guerra foi ganha de joelhos”, afirmou durante uma conferência de imprensa online organizada pela fundação pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (AIS). 

Foi então que a maré começou a virar contra os terroristas. Desde 2020, quase não houve ataques do Boko Haram, e milhares de terroristas renderam-se e depuseram as armas. Apenas três das 25 paróquias permanecem fechadas e a maioria dos deslocados regressaram a suas casas. Mas com a situação quase normalizada em casa, é o resto do país que preocupa agora o Bispo Oliver Doeme. 

“Em grande medida, podemos dizer que a região nordeste do país é mais pacífica do que outras, porque a Nigéria está agora em crise e estamos a sentir muitas forças malignas no nosso país. Temos os pastores Fulani que atacam as comunidades cristãs, temos bandidos que atacam as comunidades e raptam as pessoas. A Igreja não é poupada. Em diferentes regiões do norte foram mortos sacerdotes. Portanto, a crise pode estar a diminuir no nordeste, mas não noutras regiões do norte e mesmo do sul.”

“O Governo perdeu o controle”

O bispo tem poucas dúvidas de que a culpa recai directamente sobre o actual Governo. “Nunca vivemos o que estamos a viver agora. As pessoas estão a sofrer, têm fome. O Governo perdeu o controle da situação, é um caos, mas nós somos um povo de esperança e sabemos que Deus nos apoiará. Buhari é o presidente neste momento, mas amanhã irá embora, e esperamos um novo presidente compassivo, que tenha o povo no coração e que o possa unir”, afirma o Bispo Oliver, acrescentando que “sabemos que Deus é forte e enquanto continuarmos a virar-nos para Maria a vitória será certamente conquistada, porque somos um povo vitorioso, somos um povo de aleluia, somos um povo de ressurreição.”

Curar as feridas

Entretanto, à medida que a vida em Maiduguri regressa ao normal, a diocese cuida dos traumas e das feridas que os terroristas infligiram à população. A educação é a principal arma nesta nova luta. 

“Esta é uma prioridade para a nossa diocese, especialmente para os refugiados que regressaram. Assumimos a responsabilidade de assegurar que as crianças recebam educação, desde a escola primária até, se possível, à universidade. Esta é a chave para derrotar o Boko Haram. Quando as pessoas têm formação para garantir o seu sustento, não andam a matar.”

Os padres desempenham um papel muito importante na ajuda à população local, mas a diocese preocupa-se também com o bem-estar psicológico do seu clero. “Um dos programas que iniciámos é o aconselhamento sobre traumas para os padres. Os nossos padres foram convidados para este aconselhamento sobre traumas e regressaram muito alegres e agradecidos. As nossas religiosas também foram e regressaram fortalecidas.”

Encontrar a coragem para perdoar

Uma das áreas mais importantes em que a diocese investe é na promoção do perdão, especialmente agora que muitos membros do Boko Haram estão a ser reintegrados na sociedade. “A 13 de Maio, festa de Nossa Senhora de Fátima, reconsagrámos a nossa diocese ao Imaculado Coração de Maria. As pessoas sentem-se espiritualmente animadas e encorajadas, e isso torna-as prontas a perdoar, porque essa é uma componente muito importante da nossa assistência às pessoas. As pessoas carregam rancores contra os membros do Boko Haram que mataram os seus entes queridos, mas agora têm a capacidade de perdoar. Vêem Jesus pendurado na cruz, tendo perdoado os seus algozes, e também elas ganham a coragem para perdoar.”

(Com AIS)

Tags:
PerseguiçãoTerrorismoViolência
Apoiar a Aleteia

Se você está lendo este artigo, é exatamente graças a sua generosidade e a de muitas outras pessoas como você, que tornam possível o projeto de evangelização da Aleteia. Aqui estão alguns números:

  • 20 milhões de usuários no mundo leem a Aleteia.org todos os meses.
  • Aleteia é publicada diariamente em sete idiomas: inglês, francês,  italiano, espanhol, português, polonês e esloveno
  • Todo mês, nossos leitores acessam mais de 50 milhões de páginas na Aleteia.
  • 4 milhões de pessoas seguem a Aleteia nas redes sociais.
  • A cada mês, nós publicamos 2.450 artigos e cerca de 40 vídeos.
  • Todo esse trabalho é realizado por 60 pessoas que trabalham em tempo integral, além de aproximadamente 400 outros colaboradores (articulistas, jornalistas, tradutores, fotógrafos…).

Como você pode imaginar, por trás desses números há um grande esforço. Precisamos do seu apoio para que possamos continuar oferecendo este serviço de evangelização a todos, independentemente de onde eles moram ou do quanto possam pagar.

Apoie Aleteia a partir de apenas $ 1 - leva apenas um minuto. Obrigado!

PT300x250.gif
Top 10
Ver mais
Boletim
Receba Aleteia todo dia