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O casamento é mesmo possível? O Papa Francisco tira todas as dúvidas

A newly wedded couple with Pope Francis

Filippo Monteforte | AFP

Isabella H. de Carvalho - publicado em 01/02/23

Segundo o Pontífice, as crises que afetam muitas famílias hoje vêm de uma “ignorância prática – pessoal e coletiva – sobre o casamento”

“O matrimônio, segundo a Revelação cristã, não é uma cerimônia ou um acontecimento social, não é uma formalidade nem um ideal abstrato”, mas sim um “vínculo permanente […] de amor”. Essas foram as palavras do Papa Francisco em um discurso de 27 de janeiro de 2023. Em audiência com funcionários do Tribunal da Rota Romana, o tribunal de apelação da Santa Sé que lida notadamente com casos de nulidade matrimonial, o Pontífice sublinhou a “forte necessidade de redescobrir o significado e o valor” deste sacramento.

Segundo ele, as crises que afetam muitas famílias hoje vêm de uma “ignorância prática – pessoal e coletiva – sobre o casamento”.

“Poderíamos nos perguntar: como é possível que haja uma união tão abrangente entre um homem e uma mulher, uma união fiel e eterna, da qual nasce uma nova família? Como isso é possível, considerando os limites e a fragilidade do ser humano?”

Tendo em conta as questões que nos possam surgir, o Papa continuou a respondê-las e sublinhou que o casamento se baseia num amor divino e que até mesmo uma união com muitos fracassos pode fazer parte do desígnio de Deus para as nossas vidas. 

Vínculo indissolúvel baseado no amor divino 

O Pontífice argentino destacou que os noivos decidem livremente dar vida à sua união através do casamento. Entretanto é “só o Espírito Santo” que pode fazer daquele homem e daquela mulher uma “existência única”.

Ele explicou que Cristo “entra na vida dos cristãos casados ​​por meio do sacramento do matrimônio” e, que “o que Deus uniu, nenhum ser humano deve separar” (Mateus, 19,6).

O vínculo, que é a “realidade permanente do matrimônio”, precisa ser redescoberto, insistiu o Pontífice. Ele reconheceu que podemos ver esse tipo de vínculo como “uma imposição externa, um fardo”.

Na realidade, porém, este “vínculo de amor” é “um dom divino que é a fonte da verdadeira liberdade e que preserva a vida matrimonial”. 

Francisco reconheceu que podemos encarar “esta bela visão” como “utópica”, pois ela não leva em conta a fragilidade humana e a volatilidade dos sentimentos. No entanto, o Papa sublinhou que não é qualquer tipo de amor que está na base de um vínculo matrimonial. O amor conjugal não é apenas “sentimental” ou para “satisfações egoístas”.

Para Francisco, “o amor matrimonial é inseparável do próprio matrimônio, no qual o amor humano, frágil e limitado, se encontra com o amor divino, sempre fiel e misericordioso”.

O Santo Padre ainda explicou que o amor matrimonial “é um dom confiado à liberdade [dos esposos], com os seus limites e os seus lapsos, de modo que o amor entre esposos necessita de purificação e amadurecimento contínuos, compreensão recíproca e perdão. […] As crises ocultas não se resolvem na ocultação, mas no perdão mútuo”.

Até um casamento imperfeito é bom – e faz parte do plano de Deus

Tendo explicado o forte vínculo divino que deve estar na base de qualquer casamento, e deve ajudar homens e mulheres a superar suas dificuldades, o Papa também enfatizou que não se trata de pensar que as coisas serão perfeitas.

“O casamento não deve ser idealizado, como se só existisse onde não existem problemas. O desígnio de Deus, colocado em nossas mãos, sempre se realiza de maneira imperfeita”, explicou Francisco ao fazer referência à exortação apostólica Amoris Laetitia:

“A presença do Senhor habita nas famílias reais e concretas, com todas as suas dificuldades e lutas cotidianas, alegrias e esperanças. Viver em família torna difícil para nós fingir ou mentir; não podemos nos esconder atrás de uma máscara. Se aquela autenticidade é inspirada pelo amor, então o Senhor reina ali, com sua alegria e sua paz”.

Por fim, o Papa afirmou que o matrimônio é “um bem de valor extraordinário para todos: para os próprios esposos, para seus filhos, para todas as famílias com as quais se relacionam, para toda a Igreja, para toda a humanidade. É um bem que se difunde, que atrai os jovens a responder com alegria à vocação matrimonial, que conforta e vivifica continuamente os esposos, que produz muitos e diversos frutos na comunhão eclesial e na sociedade civil”.

O Papel da Igreja junto aos casais

Francisco também pediu à Igreja que apoie os casais antes e depois do sacramento do matrimônio, a fim de ajudá-los a “aprofundar o amor, mas também a superar problemas e dificuldades”.

“Um recurso fundamental para enfrentar e superar as crises é renovar a consciência do dom recebido no sacramento do matrimônio, dom irrevogável, fonte de graça com a qual sempre podemos contar. […] Assim a fragilidade, que sempre permanece e também acompanha a vida conjugal, não levará à ruptura, graças à força do Espírito Santo”, conclui o Papa. 

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CasamentoPapa FranciscoSacramentos
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