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Deus e os jovens na geração Z

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Shutterstock I BAZA Production

Francisco Borba Ribeiro Neto - publicado em 04/06/23

As recentes mudanças indicam um aspecto importante tanto para a “nova evangelização” quanto para a educação dos jovens que já crescem em famílias cristãs. Veja aqui:

Os jovens estão se tornando menos religiosos? A resposta que encontramos para essa pergunta normalmente é “sim, estão”. Pelo menos, isso é o que estamos vendo na maioria do mundo cristão, seja predominantemente católico ou evangélico. Contudo, no mundo islâmico parece estar havendo o processo contrário… E em muitos países “mais ateus” também parece estar havendo um aumento da religiosidade entre os jovens.

Essas observações são o resultado da pesquisa internacional “Global Religion 2023“, realizada pela Ipsos, uma empresa de análise de mercados, sobre o tema das religiões na atualidade. Não se trata de uma pesquisa destinada a construir um quadro completo das religiões no mundo, mas principalmente voltada a indicar tendências, a partir da análise de alguns países considerados mais significativos.

A religião declarada

Um dos aspectos interessantes deste estudo foi comparar a filiação religiosa, em diferentes países, para as grandes gerações atuais definidas pela literatura especializada: os baby boomers (nascidos entre o final da Segunda Grande Guerra e o início dos anos ’60, quando houve uma explosão de natalidade no mundo); a geração X (nascida entre o início da década de ’60 e o a década de ’80, crescendo após o fracasso dos projetos utópicos de 1968); os millennials (nascidos entre os anos ’80 e ’90, que se formaram durante a derrocada do projeto cultural moderno e o advento da pós-modernidade) e a geração Z (nascida aproximadamente entre 1995 e 2010, a primeira a conviver integralmente com o nosso mundo digital). O outro foi analisar não só a religião declarada, mas também as práticas religiosas e a importância da fé para a vida das pessoas. As conclusões apresentadas no parágrafo inicial desse texto nasceram de uma comparação entre a primeira geração (os baby boomers, hoje com mais de 60 anos) e a última (a geração Z, hoje formada por jovens e adultos com menos de 30 anos).

Uma observação interessante dessa pesquisa, como dito no início, foi que a religiosidade das novas gerações tende a ser maior do que a dos mais velhos em países “mais ateus”. De modo geral, as religiões hegemônicas tendem a perder fiéis no período recente, enquanto as religiões minoritárias tendem a crescer numericamente. Sociólogos especializados no estudo das religiões já apontaram essa tendência em outros estudos. Com o aumento dos intercâmbios culturais e da autonomia dos indivíduos, novas opções religiosas se tornaram possíveis (inclusive a não fé, que também é uma opção religiosa), aumento o pluralismo e a diversidade religiosa. A fragmentação demográfica do cristianismo no Brasil, com cada vez mais confissões religiosas cristãs e a redução porcentual da população católica, é um exemplo característico.

A religião vivida

Contudo, um outro aspecto também pode ser observado: a redução do número de fiéis “por tradição”, aqueles que professam uma religião apenas porque seus pais a professavam e/ou porque é a mais comum na comunidade em que vive, enquanto cresce o número de fiéis “por conversão”, aqueles que encontraram um sentido em sua vida ao descobrirem Deus numa determinada religião. Se a perda de fieis pode ser considerada má notícia para as religiões, esse aumento de fieis convertidos é muito desejável. Deus, que nos ama, não se interessa por estar em nossos documentos, mas sim em nosso coração e em nosso modo de viver. No estudo da Ipsos observou-se, por exemplo, que em países como a Alemanha e a Suécia, onde a porcentagem de ateus é elevada, o número de jovens que dizem acreditar em Deus está aumentando na geração Z.

Essas mudanças indicam um aspecto importante tanto para a “nova evangelização” quanto para a educação dos jovens que já crescem em famílias cristãs. As tradições e os valores religiosos devem ser mantidos e cultivados, afinal, é também por eles que a fé é transmitida e alimentada, mas os jovens devem redescobrir a fé a partir de um encontro pessoal, de uma experiência religiosa renovada e própria de cada um. Podemos ter um grande evento com milhares de jovens comemorando a fé, como uma Jornada Mundial da Juventude ou um festival de música católica, mas são aqueles encontros que acontecem no coração de cada um deles de um modo particular que contam. Por isso, tanto o anúncio quanto a educação da fé têm que deixar espaço e valorizar a liberdade e as particularidades da experiência de cada um que se converte (ou que “se converte mais”, como deve acontecer com todos nós que já somos convertidos).

A grande contribuição dos movimentos e novas comunidades para a história recente da Igreja foi exatamente isso: apresentando o mesmo Fato cristão a partir de uma grande diversidade de carismas e modos de ser, permitiram que cada um encontrasse aquela modalidade mais adequada a seu coração e pudesse experimentar uma conversão objetiva, que implicava até em uma socialização específica, sem deixar de participar de uma única Igreja Católica.

Voltemos a nossa pergunta inicial: os jovens estão se tornando menos religiosos? Sem dúvida estão menos apegados às tradições religiosas de seus pais, mas o que se passa no coração de cada um de nós permanece um segredo confiado à nossa liberdade e à onisciência de Deus. Muitos que se diziam religiosos no passado talvez não fossem verdadeiramente. Hoje, esses jovens são mais sinceros consigo mesmos na questão religiosa – e isso pode ser um grande ganho quando se trata de encontrar de fato Aquele pelo qual o nosso coração anesia.

Tags:
EducaçãoevangelizacaoFamíliaIgrejaJovens
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