Aleteia logoAleteia logoAleteia
Quinta-feira 29 Fevereiro |
Aleteia logo
Em foco
separateurCreated with Sketch.

O desafio de ser cristão em 2023

Este artigo é exclusivo para os membros de Aleteia Premium
HOMME-SEUL-FOULE-RUE-shutterstock_1672171747

Shutterstock I WeAre

Xavier Patier - publicado em 01/09/23

Como amar o mundo como ele é, sabendo que a felicidade real está em outro lugar? Este é, talvez, o desafio cristão, como sugere o escritor Xavier Patier

Um amigo caridoso sugere-me que eu vivo num mundo que já não existe. Eu acreditaria de bom grado se outros amigos caridosos não tivessem me dito a mesma coisa há quarenta anos. Cheguei a Paris quando ainda era um estudante solitário e desleixado, assíduo na missa das sete e meia em Saint-Germain-des-Prés e na assembleia de oração que Pierre Goursat começava a convocar na quinta-feira à noite. Meus colegas pensavam que eu era um garoto de outra época.

Quase não existiam grupos de estudantes fervorosos e sintonizados com o mundo como encontramos hoje. Tivemos que nos defender sozinhos. As capelanias estavam nas mãos de jesuítas de vanguarda, que nunca pararam de repetir o maio de 1968. A Renovação Carismática mal havia nascido. As paróquias tradicionais esvaziavam-se a todo vapor. 

Paris estava na onda dos suéteres de gola alta, das armações de óculos estilo Maurice Clavel, das calças boca de sino e, sobretudo, daqueles carros chamados Renault 12 ou GS Citroën que estacionavam por toda parte, inclusive na esplanada do Louvre. Para mim, tudo isso parecia se entregar a um concurso de terror. Eu dizia isso abertamente e, por isso, as pessoas pensavam que eu estava perdido no mundo moderno. Sem dúvida eles estavam certos, eu estava perdido.

No entanto, eu fui um vira-lata acomodado. Fiz o que o século me exigia. Joguei o jogo como se joga, decidi amar aquele mundo, porque pensei que, na vida, é melhor amar do que não amar. Não estava enganado: amei aquele mundo de verdade. Eu trabalhei de verdade. Eu realizei o rito. Mas nunca consegui esquecer que a vida estava em outro lugar. Não num mundo que já não existe, mas num mundo que nos espera. 

Cristo nasceu no campo

Nós, cristãos, não podemos deixar de pensar que o mundo urbano que nos rodeia parece uma farsa. Cristo nasceu no campo. Caminhava pela natureza, dormia ao ar livre, comia peixe grelhado à beira de um lago. Ressuscitado, precedeu seus discípulos até a Galileia. Ele só foi para a cidade grande para morrer lá. “Não convém que um profeta morra fora de Jerusalém”: esta palavra misteriosa é uma advertência a todas as metrópoles. 

Nós também vamos para a cidade para morrer lá. Quando entrevistados, quatro em cada cinco franceses dizem que querem terminar os dias em casa. E, no entanto, quatro em cada cinco franceses morrem no hospital, um templo de solidão coletiva, sofrimento e modernidade técnica, uma cidade absoluta.

Nossas cruzes são lugares de exílio. Não as escolhemos, por isso são cruzes. Só Deus sabe o dia e a hora em que finalmente iremos até Ele. 

Vemos desaparecer tantos homens da nossa idade, que nos sentimos como sobreviventes inúteis. Mas existe outro mundo, e a tristeza que sentimos torna-se uma espécie de paz. 

Este artigo é exclusivo para os membros Aleteia Premium

Já é membro(a)? Por favor,

Grátis! - Sem compromisso
Você pode cancelar a qualquer momento

1.

Acesso ilimitado ao conteúdo Premium de Aleteia

2.

Acesso exclusivo à nossa rede de centenas de mosteiros que irão rezar por suas intenções

3.

Acesso exclusivo ao boletim Direto do Vaticano

4.

Acesso exclusivo à nossa Resenha de Imprensa internacional

5.

Acesso exclusivo à nova área de comentários

6.

Anúncios limitados

Apoie o jornalismo que promove os valores católicos
Apoie o jornalismo que promove os valores católicos
Tags:
CristãosCristianismo
Apoiar a Aleteia

Se você está lendo este artigo, é exatamente graças a sua generosidade e a de muitas outras pessoas como você, que tornam possível o projeto de evangelização da Aleteia. Aqui estão alguns números:

  • 20 milhões de usuários no mundo leem a Aleteia.org todos os meses.
  • Aleteia é publicada diariamente em sete idiomas: inglês, francês,  italiano, espanhol, português, polonês e esloveno
  • Todo mês, nossos leitores acessam mais de 50 milhões de páginas na Aleteia.
  • 4 milhões de pessoas seguem a Aleteia nas redes sociais.
  • A cada mês, nós publicamos 2.450 artigos e cerca de 40 vídeos.
  • Todo esse trabalho é realizado por 60 pessoas que trabalham em tempo integral, além de aproximadamente 400 outros colaboradores (articulistas, jornalistas, tradutores, fotógrafos…).

Como você pode imaginar, por trás desses números há um grande esforço. Precisamos do seu apoio para que possamos continuar oferecendo este serviço de evangelização a todos, independentemente de onde eles moram ou do quanto possam pagar.

Apoie Aleteia a partir de apenas $ 1 - leva apenas um minuto. Obrigado!

PT300x250.gif
Top 10
Ver mais
Boletim
Receba Aleteia todo dia