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Regime comunista chinês proibiu bispos de verem o papa na Mongólia

Bandeira da China e mãos em oração

MDV Edwards | Shutterstock

Francisco Vêneto - publicado em 04/09/23

Vaticanista: "A ordem parece refletir o medo que o Partido Comunista Chinês tem da religião em geral e do cristianismo em particular"

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da República Popular da China, Wang Wenbin, afirmou que “a China está pronta para continuar trabalhando com o Vaticano na construção de um diálogo construtivo, do entendimento e do fortalecimento da confiança mútua”.

Ele respondia assim ao tradicional telegrama de saudação que os papas enviam aos chefes de Estado dos países que sobrevoam no trajeto das suas viagens apostólicas. Desta vez, o Papa Francisco sobrevoou a China, assim como outros nove países, antes de chegar ao espaço aéreo da Mongólia.

Apesar da diplomática resposta do porta-voz e mesmo tendo autorizado o avião papal a cruzar o espaço aéreo chinês tanto na ida quanto na volta da Mongólia, as autoridades do regime comunista de Pequim proibiram que qualquer bispo ou fiel católico da China continental viajasse à capital mongol para ver o Papa Francisco e participar da sua visita histórica ao país vizinho. A ordem foi emitida pelo Departamento de Trabalho da Frente Unida do Partido Comunista Chinês.

A informação é da revista America, dos padres jesuítas, citando fontes vaticanas. Aliás, a revista registra que alguns católicos chineses conseguiram viajar a Ulan Bator apresentando-se na fronteira como turistas e sem identificar a própria religião.

Ao comentar o fato, o vaticanista Gerard O’Connell observou que, “dadas as boas relações entre a Mongólia e a China, a ordem parece refletir não só o atual estado desconfortável das relações entre a China e o Vaticano, mas também o medo que o Partido Comunista Chinês tem da religião em geral e do cristianismo em particular”.

De fato, só puderam estar presentes na Mongólia durante a visita do Papa Francisco o cardeal John Tong Hon, bispo emérito de Hong Kong, e o seu sucessor, o bispo jesuíta dom Stephen Chow Sau Yan, que será criado cardeal no consistório deste próximo 30 de setembro. Hong Kong ainda desfruta, embora com crescentes restrições, de autonomia em relação à China continental.

Ao encontrar os dois bispos por ocasião da missa deste domingo na Steppe Arena de Ulan Bator, o papa declarou:

“Estes dois irmãos bispos, o emérito de Hong Kong e o atual bispo de Hong Kong! Gostaria de aproveitar a sua presença para enviar uma calorosa saudação ao nobre povo chinês. Desejo a todo o povo o melhor, que siga em frente e progrida sempre”.

Tags:
comunismoIdeologiaPapaPerseguiçãoPolítica
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