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Ele pagou duas namoradas para abortarem – quando entendeu o que fez, se tornou pró-vida

Bebê em gestação

Mopic | Shutterstock

Francisco Vêneto - publicado em 02/10/23

O americano Chris Aubert conta a sua história: "Se eu pudesse voltar no tempo, salvaria esses filhos. Há uma mancha que jamais se apagará da minha alma".

O site ChrisAubert.com deixa claro, já em seu nome, que consiste no compromisso pessoal de um homem que não esconde a própria cara, mas que se declara, com nome e sobrenome, um defensor do direito à vida dos bebês em gestação. E o seu autor, o americano Chris Aubert, procura realizar esse compromisso justamente compartilhando informação objetiva, real e transparente com outros homens que, por falta dessa informação, ainda apoiam e até pressionam as suas namoradas ou esposas para abortarem os filhos que consideram “indesejados”.

O próprio Chris, afinal, na juventude, já pagou duas ex-namoradas para abortarem.

O ano era 1985 quando ele o fez pela primeira vez. Quando a sua então namorada lhe contou que estava grávida e pensava em abortar, ele deu a ela duzentos dólares e, como se acabasse de fazer a coisa mais trivial e desimportante do mundo, saiu para assistir a uma partida de beisebol.

Em 1991, já com outra namorada, a mesma história. “Aquilo era totalmente irrelevante para mim”, resume Chris.

Passaram-se os anos. Certo dia, ao acompanhar a sua esposa ao ginecologista, Chris teve a oportunidade de ver a ecografia de um dos seus filhos – ele se tornaria pai de cinco, além dos dois a quem negou o direito de nascerem. Quando viu as imagens do bebê nos seus primeiros estágios de desenvolvimento dentro do útero da mãe, Chris sentiu um aperto no peito. Descobriu um profundo pesar e arrependimento pelo que tinha feito com seus dois primeiros filhos.

“Se eu pudesse voltar no tempo, salvaria esses filhos. Há uma mancha que jamais se apagará da minha alma”.

Defensor da vida

O site de Chris anuncia, já na página inicial, que “a verdade importa” – “truth matters“. E avisa: este site oferece ao público “a visão de um homem católico sobre fé, vida e aborto”.

Chris Aubert se tornou defensor da vida a partir da experiência pessoal de testemunhar a vida de um dos seus filhos desde o começo da gravidez da esposa, em contraste com a sua própria postura de tê-la descartado nas duas primeiras vezes em que esse milagre lhe acontecera.

Ao passar também a informar-se e estudar sobre o que é a vida e o que é o direito a ela, identificou-se profundamente com a doutrina que a Igreja Católica preserva e defende a este respeito, alicerçada solidamente na biologia e na ética natural. De fato, a base argumentativa de Christ Aubert não é dogmática: ele ressalta a constatação dos fatos objetivos da biologia sobre o que é uma vida humana e também da psicologia sobre os efeitos nocivos do aborto tanto sobre a mãe quanto sobre o pai – temas dos quais, chamativamente, a militância pró-aborto se desvia.

Sequelas no homem

Neste sentido, entre os sofismas e aberrações ideológicas que Chris costuma abordar, está a que tenta afirmar que o aborto “não é assunto de homens”, mas “exclusivamente de mulheres” – como se o pai não tivesse direito algum a defender a vida do próprio filho e como se um aborto provocado não deixasse nenhuma sequela em nenhum pai.

A este respeito, Chris contou com o apoio da também ativista pró-vida Vicky Thorn, fundadora do Projeto Raquel e falecida em 2022. O projeto ajuda mulheres que sofrem após terem provocado um aborto, mas também ajuda os homens, em quem as sequelas “ainda são um tabu”, observa, justamente porque o aborto é ideologicamente vendido como “assunto de mulheres”.

Vicky Thorn destacava duas reações, cada vez mais frequentes, observadas em homens que apoiaram ou pressionaram pelo aborto do próprio filho, em contraste com a suposta “atitude geral” de indiferença masculina:

  • alguns, quando nascem seus filhos agora desejados, acabam se tornando superprotetores e vivendo em constante angústia, por medo de que algo de ruim aconteça com eles;
  • outros caem num inferno de álcool, drogas, promiscuidade sexual e autodestruição.

Segundo Vicky, é comum que o homem responsável por um aborto passe pelas etapas de ira, raiva, frustração, sofrimento profundo, arrependimento e tristeza. Junta-se ainda a vergonha por terem sido fracos diante do filho que deveriam ter protegido.

A ativista pró-vida costumava reforçar que uma das principais causas da suposta desvinculação do homem da paternidade é o bombardeio de propaganda ideológica feminista radical sintetizada no slogan “meu corpo, minhas regras” – baseada na tese, biologicamente absurda, de que o bebê em gestação faria parte do corpo da mulher, quando na realidade é um novo ser humano em seus primeiros estágios de desenvolvimento. A pseudobiologia do “meu corpo, minhas regras” costuma levar à tese radical de que a mulher teria o direito de excluir taxativamente o homem da decisão sobre o filho já gerado.

“Gravidez é assunto dos dois”

Este aspecto da paternidade e da maternidade, sistematicamente negado ou tergiversado por grande parte da militância pró-aborto, constitui também um dos assuntos-chave da Rede Madre, outra organização pró-vida, baseada na Espanha, cuja missão é oferecer todo o apoio necessário a pais carentes para que nada falte à criança cujo nascimento não foi planejado. Um dos pais amparados por esta iniciativa é Samuel, que, aos 20 anos de idade, comentou assim a situação: “Gravidez é assunto dos dois. E é preciso que os dois conversem sobre isso, mais ainda se a gravidez é indesejada. Não dá para deixar o homem de lado”.

A médica espanhola Ondina Vélez, ligada ao CEU – Instituto de Estudos da Família, também reafirma o impacto nocivo do aborto sobre os homens “incentivados” culturalmente a apoiar a eliminação de um filho: “Em muitos casais, a atitude mais frequente é que os homens fiquem ansiosos e aceitem a decisão delas, justamente porque acham que ‘o aborto é coisa de mulheres’ e que eles não têm direito de opinar”.

Ela conta que dois jovens a quem atendeu não concordavam com a decisão das parceiras de abortar os bebês que estavam a caminho. De fato, pouco tempo depois da consumação dos abortos, ambos os casais se desfizeram. Para a Dra. Ondina, muitas vezes o homem também é vítima “de um ambiente que os pressiona” e de uma publicidade que perverte o significado da paternidade e da maternidade como realidade conjunta.

Chris Thorn comenta:

“Ele foram incentivados a permitir que ela escolhesse. Mas, na verdade, eles queriam ser pais”.

Tags:
AbortoBebêsMaternidadePaternidadeRelacionamentoVida
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